sábado, 11 de maio de 2013

Um assassino e o seu legado

Os paraibanos acompanharam estarrecidos a descoberta do corpo da criança Fernanda Ellem, desaparecida desde janeiro, em João Pessoa. Não somente a morte da garota deixou triste nosso povo, mas o fato dela estar tão próxima de casa e ter sido assassinada por um vizinho.

Independente dos fatos, uma entrevista do acusado me chamou muita atenção. Após demonstrar muito arrependimento pelo crime e perguntado por uma jornalista o que ele faria se voltasse ao dia do acontecimento, o acusado de assassinar Fernanda foi enfático: “Queria voltar aos meus 12 anos, quando eu experimentei droga pela primeira vez”, respondeu à jornalista.

Claro que justificar um crime desses colocando a culpa no “Crack” parece não convencer a revolta popular, mas nos alerta para uma “doença” que nossa sociedade vive: as consequências do uso de drogas. Não é de hoje o alerta, os números já demonstram que, em média, 80% dos homicídios na Paraíba têm relação direta ou indireta com o uso e/ou tráfico de drogas.

Diante dos números já apresentados, inclusive por órgãos oficiais do governo, como não se preocupar com este “câncer”, que anda corroendo as famílias do país, tanto dos usuários, quanto de suas vítimas? É comum, após as apreensões e prisões de furto ou roubo, a justificativa de que o lucro seria utilizado no sustento do vício do(s) infrator(es). Tão comum quanto a entrada diária de viciados no sistema prisional, devido à prática de delitos.

Retornando ao caso da menina Fernanda, percebemos que o uso do “Crack” influenciou diretamente no crime, até porque, como alega o assassino da garota, o mesmo queria dinheiro para a compra de entorpecentes. A partir da alegação, percebe-se que é um fato que a Polícia não tinha como evitar, já que o acusado estava fora de qualquer suspeita, além de ser vizinho e conhecido da família/vítima.

Partindo desse pressuposto, verificamos que estamos diante de um problema que a polícia sozinha não vai conseguir resolver, até porque as sanções para este tipo de crime não abrangem o tratamento de usuários de tóxicos. Tratar esta problematização apenas com o uso da força não resolverá, desde que os usuários sejam vistos como doentes e não somente como criminosos.

Com a resposta dada à entrevistadora, o acusada de assassinar Fernanda nos deixa um legado e acaba alertando nossos jovens o quão grande é o problema do uso de drogas. Em outras palavras: "Mermão, num entre nessa merda que o fundo é grande, tais vendo meu exemplo, né?!".

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