Os paraibanos acompanharam
estarrecidos a descoberta do corpo da criança Fernanda
Ellem, desaparecida desde janeiro, em João Pessoa. Não somente a morte da garota
deixou triste nosso povo, mas o fato dela estar tão próxima de casa e ter sido
assassinada por um vizinho.
Independente dos fatos, uma
entrevista do acusado me chamou muita atenção. Após demonstrar muito
arrependimento pelo crime e perguntado por uma jornalista o que ele faria se
voltasse ao dia do acontecimento, o acusado de assassinar Fernanda foi enfático:
“Queria voltar aos meus 12 anos, quando eu experimentei droga pela primeira
vez”, respondeu à jornalista.
Claro que justificar um crime desses
colocando a culpa no “Crack” parece não convencer a revolta popular, mas nos
alerta para uma “doença” que nossa sociedade vive: as consequências do uso de
drogas. Não é de hoje o alerta, os números já demonstram que, em média, 80% dos
homicídios na Paraíba têm relação direta ou indireta com o uso e/ou tráfico de
drogas.
Diante dos números já apresentados,
inclusive por órgãos oficiais do governo, como não se preocupar com este
“câncer”, que anda corroendo as famílias do país, tanto dos usuários, quanto de
suas vítimas? É comum, após as apreensões e prisões de furto ou roubo, a
justificativa de que o lucro seria utilizado no sustento do vício do(s)
infrator(es). Tão comum quanto a entrada diária de viciados no sistema
prisional, devido à prática de delitos.
Retornando ao caso da menina
Fernanda, percebemos que o uso do “Crack” influenciou diretamente no crime, até
porque, como alega o assassino da garota, o mesmo queria dinheiro para a compra
de entorpecentes. A partir da alegação, percebe-se que é um fato que a Polícia
não tinha como evitar, já que o acusado estava fora de qualquer suspeita, além
de ser vizinho e conhecido da família/vítima.
Partindo desse pressuposto,
verificamos que estamos diante de um problema que a polícia sozinha não vai
conseguir resolver, até porque as sanções para este tipo de crime não abrangem o
tratamento de usuários de tóxicos. Tratar esta problematização apenas com o uso
da força não resolverá, desde que os usuários sejam vistos como doentes e não
somente como criminosos.
Com a resposta dada à entrevistadora, o acusada de assassinar Fernanda nos deixa um legado e acaba alertando nossos jovens o quão grande é o problema do uso de drogas. Em outras palavras: "Mermão, num entre nessa merda que o fundo é grande, tais vendo meu exemplo, né?!".
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