domingo, 7 de dezembro de 2008

"Esperando na Janela"

Há uns 4 ou 5 anos atrás, estava deixando mais uma profissão que tivera, onde herdei do meu pai, taxista. Saía logo cedinho, próximo das 7 da manhã e ficava a esperar, no sol quente, às vezes chuva, os clientes que não se saberia a que horas iriam chegar, ou até mesmo se viriam. Quem trabalha com comércio sabe que o movimento de seus clientes não tem hora certa. Há momentos de casa cheia, mas há horas que o silêncio e a solidão perdura... "Esperar por quem não vem" era a frase que eu usava para explicar, naquela época de taxista, como era meu dia-a-dia. A angústia da espera, de uma ligação de algum cliente levava à conversas tolas para passar o tempo. Conversas que não ajudavam as horas passar. Era uma solidão por dentro, sem fim! Tamanha era angústia de esperar por alguém que não se sabia onde estava e até mesmo se viria. Talvez chegasse hoje, mas poderia deixar pra o dia seguinte, não sei. E esperar gera sentimentos que nos deixa vazios, com pensamentos vagos.

Metaforicamente seria ver seu time ganhando de 1x0 uma final de campeonato, com o gol aos 15 do 2º tempo. Até o final da partida e o apito final do juiz, parece uma eternidade. As horas andam a passo de tartaruga.

Na "praça" era assim: os clientes as vezes sumiam. As ruas cheias, mas pareciam desertas. Nenhuma ligação, nenhuma... Talvez uma aqui, outra acolá, que fazia o coração acelerar na esperança de uns trocados, mas que na verdade não tinha caráter profissional, talvez um banco cobrando as contas atrasadas ou mainha pra ir em algum lugar... Mas nunca perdi a esperança de uma nova corrida, mesmo angustiado, sentindo o coração vazio. Sabia que não iria desistir nunca da profissão, pelo menos naquele momento. Meus pensamentos eram constantes nos clientes. Firmes e fortes. As horas não passam, o telefone não toca, mas eu esperarei...

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